20 junho 2006

Pequeno (grande) apontamento monetário!!

Apenas para vos dar algumas palavrinhas de encorajamento face à crise que hoje se vive neste País (e que se vai continuar a viver por looooonnngoooooos tempos….):

Hoje, e pela primeira vez em…. praticamente 1 ano (TANTO TEMPO!!)… consegui colocar na minha conta-poupança 75€!!!

Isto pode não vos parecer muito, mas se eu, durante o ano que passou, lá tivesse colocado (e não retirado) esta mesma quantia (ou bem mais…) todos os meses, já viram a soma que tinha posto de parte????

Ah, poizé (assim mesmo, tudo junto!), grão a grão enche a galinha o papo!
E se apanho a galinha, escondo-a só para mim!!!

30 maio 2006

INSOMNIAC

Calor infernal...
Estou cansada e não consigo fechar os olhos sem que uma catadupa de coisas rompa o silêncio que se impunha a esta hora.
Há pouca luz nesta sala... Há pouca luz por todo o lado, pois as estrelas são ofuscadas pela artificialidade dos candeeiros.
Não sei da Lua.
Da minha janela só vejo prédios, carros, motas e outras luzes... E mais prédios e carros.
Tenho saudades do verde que se avista da minha varanda leiriense;
Do coelho que sempre nos dá os bons dias logo ao pequeno almoço;
Do latir dos cães da vizinhança;
Do chilrear dos pássaros que se juntam na minha varanda...
No silêncio da noite - e nos barulhos da mente - dou comigo a questionar a existência de Anjos da Guarda.
Gostava de conhecer o meu.
De o olhar nos olhos e poder agradecer-lhe todas as lutas que travou por mim, que me permitiram que sobrevivesse às intempéries dos últimos anos...
Que me ajudaram a suportar a perda dos que me são mais queridos...
Uns partiram nas asas aladas da noite...
Avó, todos os dias penso em ti e continuo a alimentar a esperança de te encontrar à sombra da laranjeira...
Michel, sei que me dirias que Alá é grande e que te deixou viver para além do que os médicos te setenciaram... Mas enterrei-te, com as minhas próprias mãos, cumprindo a tradição da tua fé, e penso que assim te ajudei a partir de cá mas queimei-te a fogo no meu sangue, primo...
Serão vocês os meus Anjos da Guarda?
Outros desapareceram nas trevas que as doenças e as adições tecem...
Não Rita, para mim não morreste. Estás apenas em suspensão na minha vida, qual peça de roupa que espera ser recolhida quando finalmente estiver preparada para tal... Do tanto que usaste todos os que te amam, não consigo comparar-te a mais nada. E, ainda assim, amo-te e alimento a esperança de que, um dia, acordes dessa doença e vida que para ti escolheste e voltes para nós...
Existem ainda aqueles que deixaram que o tempo os apagasse da minha vida...
Sei bem que não me esforço por me manter em contacto, mas também sabem bem que, no dia em que nos reencontrarmos, tempo algum terá passado.
Excepto aquele em que me perdi nas brumas de uma noite de insónia para vos dizer o quanto me fazem falta...

26 abril 2006

Suicídio: Um mau investimento

Li hoje uma notícia no Diário Digital que ostentava o pomposo título: “Portugal tem das menores taxas de suicídio da Europa”.
Contudo, eu cá sou da opinião que o título da dita notícia deveria ser: “Portugal teve das menores taxas de suicídio da Europa”.

Senão, vejamos:

Antes do mais, os dados dizem respeito a um período compreendido entre 1996 e 2000.

Contudo, nesse tempo, o povo português ainda tinha esperança:
- Que o Governo mudasse e melhores dias viessem;
- Que a CE continuasse a subsidiar Portugal sem nada exigir em troca;
- Que o Escudo durasse para todo o sempre, tal como a Amália Rodrigues…

E eis que… Nada disso aconteceu:
- Mudámos de Governo e o horizonte económico do País, tal como o título do filme com o Tom Cruise, está cada vez mais longínquo;
- A CE exigiu baixos défices anuais a Portugal… E o Povinho não fez mais furos para apertar o cinto: Pura e simplesmente deixou de usar cinto porque não tinha mais “roupa”para apertar;
- A Amália Rodrigues morreu e tivemos de gramar com o Euro… E os velhos cinco “contos” que duravam uma eternidade foram substituídos por 25 euros que não chegam para nada!


E mais: De acordo com esse mesmo estudo, a média anual de suicídios era de 6 em cada 1.000 portugueses.

Nesse tempo, decorrente da réstia de esperança do português num novo Governo, o povo ainda crescia e multiplicava-se!
Logo, quantos mais fossemos, mais 6 de nós se matavam!!
E, como ainda por cima, somos um País cuja dimensão é bastante menor quando comparada com outros países da Europa, também era normal que eles fossem mais e se matassem mais!!
E olhem que ficar só com 994 pessoas por cada mil que existiam não era nada fácil…

Actualmente o cenário é outro: as taxas de natalidade desceram abruptamente e o que parece nada ter a ver com suicídio, sê-lo-á em termos de futuro do País.
- Se não vão nascendo crianças, também não existirá forma de manter o actual modelo de Segurança Social;
- Com o envelhecimento da população, e a falta de pessoal suficiente a trabalhar para lhes devolver os descontos que fizeram uma vida inteira – a reforma – deixarão de existir meios de subsistência para muitos;
- Como não terão como subsistir, os que não morrerem nos Invernos rigorosos ou nos tórridos Verões, não terão outra solução senão atirar-se de uma ponte…

É que… Meios de suicídio mais “limpos” são caros: não há dinheiro para overdoses de medicamentos, venenos de rato ou tiros de pistola!


E todos os que morrem devido ao frio e ao calor excessivos serão apenas suicídios “camuflados”, puras vítimas de “maus investimentos financeiros”: Escolheram morrer devagarinho, preferindo comer pouco, emagrecendo para estar na moda, ao invés de comprar bons ares condicionados…


Ah, pois é… E eis como se enganam as estatísticas, os jornalistas e o povo!

13 março 2006

Born to be… Very rich!!

Sabe-se lá porquê, ultimamente tem sido ponto de conversa recorrente em todos os locais do País por onde ando, o quanto todos nascemos com perfil para sermos ricos.

Bom, neste caso, ricas, porque a conversa surge sempre entre mulheres.

E ricas como, perguntam vocês?

Ricas para:

- Gastar o dinheiro que não nos faz falta com bens de primeira necessidade para os que realmente precisam de coisas tão básicas como… um simples casaco de Inverno (sim, E.T. do Piso de Cima, também conheço muitos!!!);

- Pôr os filhos nos melhores colégios cá do burgo e inscrevê-los em todas as actividades extra-curriculares que bem entendam (com a ressalva que não se baldem nos estudos devido às mesmas);

- Deixar filhos na escola e ir tomar pequeno-almoço com as outras mães igualmente ricas e desocupadas;

- Acompanhar de perto o crescimento e a educação dos pequenos, sendo parte interveniente da mesma, para além de simples motorista no “põe na escola, tira da escola; põe na explicação, tira da explicação….” (Credo, isto mais parece aquela música do “ponho o carro, tiro o carro”…. ARGH!);

- Por falar em motorista… No caso de morarmos todas, as belas e ricas (mesmo que não sejamos belas agora, de certeza que arranjaríamos cirurgiões plásticos para o passarmos a ser….), fora de Lisboa – tipo na linha de Cascais ou em “Quintas” por lá perto - ter sempre um motorista de serviço para as viagens mais cansativas: as idas às compras!;

- Ter sempre um helicóptero à disposição dos maridos para não terem de ser massacrados com o trânsito a caminho dos seus empregos! Sim, porque eles têm que se distrair com alguma coisa para não estarem constantemente a reparar que não paramos em casa!;

- Dar aos nossos – e a nós mesmas – aqueles mimos de que verdadeiramente necessitamos: limpeza de pele pelo menos 4 vezes por ano, manicura, pedicura, cabeleireiro, fins-de-semana em SPA’s, férias em grupo… Enfim, banhos de loja e afins sempre que tal se justifique! Sim, ricas mas não parvas, porque o que é demais também enjoa!;

Em suma: Nascemos para sermos Ricas tipo Tias só que com a consciência mais desperta para o mundo real!

E se existem tantas outras beneficências para fazer com os nossos e com os demais se fossemos ricas!!!

O problema é que não nascemos ricas de berço, por isso, a coisa só vai lá:
- À força de trabalho – já andamos nisto há algum tempo e não nos parece que resulte…;
- Euromilhões - nem sempre “dá” para jogar…;
- Virarmo-nos para o crime “muito bem organizado” – já que é para ser criminoso, ao menos há que organizar bem a coisa para ela não correr para o torto.

É que, como diz a E.T. do Piso de Cima: Nós nascemos para sermos ricas… Mas será que o dinheiro sabe?!?

07 março 2006

"E então: Lá vão para Lisboa, não é?"

Não, na verdade não é.

Lisboa tem movida: cinemas, exposições, bons bares e restaurantes, centros comerciais, muita gente na rua a qualquer hora do dia ou da noite.

Lisboa tem metropolitano, comboios e autocarros para todo o lado e mais algum, em cada esquina uma clínica médica, um hospital, um quiosque…

Não, não vou para Lisboa.

Lisboa é aquela cidade onde eu passo 3 horas e meia num edifício, 1 hora num pequeno restaurante e mais 5 horas dentro de um edifício.
Com vista para as obras no telhado do Campo Pequeno, mas ainda assim, um edifício onde estou fechada. E, nos entretantos, cerca de 10 minutos numa estação de comboio.

Esta é a “minha Lisboa”.
Aquela onde me sinto completamente Alien(ada).

- “Precisava que me explicasse como é que vou dar á empresa!”
- “Nesse caso é só um momentinho. Vou passar-lhe a alguém que lhe possa explicar…”
Dá-me vontade de lhes responder: “Olhe, aparque o seu OVNI ao lado do meu, enfie-se no Metro ou no comboio, que chega cá mais depressa!”


Na verdade, não, não vamos para Lisboa quando saímos de Leiria.

Vamos para o Quintal do Duque, mais conhecido por Quinta do Conde.

Aquela terra que não tem exposições; onde nem sei se existem bares e os restaurantes são não sei onde.
Onde os supermercados são a 5 minutos de minha casa mas se precisar de outra coisa que não seja comida não sei onde ir…
Onde os cinemas mais perto são no Montijo, Setúbal ou Almada. Também temos Alcochete mas isso já é esticar mais…

Quanto a médicos cobertos pelo seguro…
- “Pois, terá que agarrar no carro e deslocar-se a Setúbal ou ao Barreiro porque aí não existe nenhuma clínica nossa e os domicílios não cobrem essa zona”…
- “Mas o Alien-esposo não está em condições de sair de casa!”
- “Sim, mas a senhora pode conduzir.”
- “Claro que sim, não sou eu que estou doente!”
- “Correcto”
- “Bom, já percebi: se não quero que o Alien-esposo morra em casa, é melhor sair para ir ao médico. Pode sempre morrer pelo caminho….”

Pois é, aterrei o OVNI no fim do mundo.

04 março 2006

Sign your name across my heart....

Lisboa não tem sido má para mim.... Nunca o foi!

Na faculdade, a minha melhor amiga foi a "tia da linha" (ela é que assinou assim um comentário, não fui eu que lhe dei o nome :) e nunca tive nada a apontar-lhe, antes pelo contrário!).

Anos depois, eis-me na cidade dela.
Na cidade onde estão vários amigos meus, - de Leiria inclusivé - os meus cunhados e os meus sobrinhos...

Ainda que eu possa perder-me na Avenida João XXI porque é praticamente do tamanho do centro de Leiria, mais importante que o espaço físico, são as pessoas.

E, essas, não me têm deixado ficar mal.

No meu local de trabalho, integrei-me bem.
Tenho colegas impecáveis... E amigos!

Daqueles que se preocupam connosco, que nos aturam as pancas, que sabem rir e chorar com as nossas tristezas e alegrias...
E, mais difícil de tudo, que sabem conviver e aceitar a minha Alien forma de ser e de estar!


Porque não é fácil estar afastado de tudo o que nos é familiar, - e o foi durante anos - eles tornam-se na nossa família:

- Estão sempre prontos a esclarecer dúvidas de quem só conhece Lisboa underground (dentro do Metro) e a disso fazer piadas que só nós entendemos;

- Sabem olhar-me, com olhos de ver para além das piadas fáceis, e reconhecer quando algo está menos bem;

- Conhecem o meu estômago melhor que eu e dão-lhe prioridade na hora das refeições;
- Enchem-me de gulodices e partilham tudo o que de comestível têm consigo;

- Conseguem deixar-me em paz quando dela preciso, sem me deixarem sentir só e abandonada;

- Criam todo um mundo e vida paralela onde me sinto bem, viva e feliz, apesar da distância do que também me faz falta;

- Ajudam a estabelecer rotinas e hábitos para que deixe, a pouco e pouco, este meu Alien de parte e possa ser, simplesmente, eu mesma...

Esses amigos sabem muito bem quem são.
Não preciso de os nomear porque sabem bem o lugar que ocupam em mim.

Trago-os comigo sempre que venho a Leiria.
Bem dentro de mim.
Lá, naquele canto do coração onde só deixamos entrar quem realmente faz toda a diferença nas nossas vidas... Onde eles souberam, acima de tudo, assinar os seus nomes e deixar as suas marcas profundas ainda que nos conheçamos há tão pouco tempo.

Este texto é-lhes dedicado, ainda que muitos nem saibam que este blog existe.

O que eles não sabem, não é importante.
Não me importa que não vão comentar este texto ou outro qualquer...
O importante é o que me fazem sentir...
Que a assinatura deles nunca desapareça do meu coração e que muitas outras se lhes juntem é o meu maior desejo...

Adoro-vos e, isso, tanto é válido hoje como daqui a cem anos!
Se é que este blog ainda vai estar online até lá e se vocês entretanto o descobrirem...

Obrigado por terem feito toda a diferença.
Obrigado por existirem e serem como são.

Quanto aos amigos de Leiria e de outras paragens:
Ninguém é substituível e vocês sabem-no!

02 março 2006

A (des)propósito das tias e dos betinhos

É engraçado como toda a gente gosta de utilizar a expressão “tia” ou “betinho” associado à linha de Cascais.

E quando digo “toda a gente” é mesmo TODA A GENTE, o que prova que o preconceito é completamente transversal à típica rivalidade Norte-Sul ou a quaisquer outras.
É um “selo” carimbado por tripeiros, lampiões, alentejanos, minhotos e todos os outros de que me lembro mas que não me apetece agora escrever….

“Tias” e “betinhos” estão espalhados por todo o País.
São figuras que se generalizaram, e expressões que começam a ser utilizadas muito para além da associação a uma imagem tipificada de pessoa.

Tenho filhos de amigos que me tratam por TIA e, acreditem em mim os que não me conhecem: ando a mil milhões de léguas da imagem normalmente associada a uma “Tia da linha”… Ou do quadrado, ou da recta, ou seja lá de onde for o raio da tia!
Ora, isso não me impede de ser uma tia, verdade?
E agora que até estou bem mais perto de Cascais do que quando morava em Leiria, tanto se me dá que seja “tia da linha” como não!!!
Desde que me deixem continuar a ser tia da Rita, do Frederico, da Ritinha, do Tomás, do Martim, etc…. O resto é-me totalmente indiferente!

Quanto aos “betinhos”, há já muito que a moda do sapatinho de vela se espalhou. E não é uma questão de moda! Os sapatos são mesmo confortáveis, independentemente de se ser praticante de vela, de andebol, de râguebi, de body combat, body pump, e do mais que esteja por aparecer!

É claro que a homogeneidade do penteado e do tipo de roupa, linguagem, etc., são outros dos contributos para formar a imagem do “betinho” e da “tia”…

Agora, numa coisa os Nortenhos ganham aos pontos: não há expressão que melhor retrate determinados seres indescritíveis como…. Azeiteiro!

Quais tias, quais betinhos!

Azeiteiro aplica-se a tudo:
- Aos que brilham demais e aos que brilham de menos;
- Aos que exageram para dar nas vistas e aos que exageram para passar despercebidos;
- Ao povinho e ao “pobuón”;
- Ao chique e ao choque;
- Ao preto e ao prata…
- A tudo!

E, mais engraçado que a expressão em si, é a pronúncia, o olhar e o trejeito de boca de quem a está a aplicar a outrem…

Ora pensem lá: “Azeiteiro”….
Repitam lá(com sotaque nortenho): “Azeiteiro”…

Dá uma ideia de brilho a escorrer pelo canto da boca de quem está a comer bacalhau assado, não é?